Tudo o que aqui está escrito foi presenciado por mim directamente.
Aquele pessoal é todo uma merda.
Todos uma cambada de atrasados dementes.
Criminosos, drogados, mentirosos e toda a espécie de escumalha
lá se pode encontrar.
Eu poderia expôr este assunto ás autoridades competentes aqui em
Portugal mas eu acho que são umas autenticas anedotas, como se tem vindo a
revelar em algumas entrevistas feitas na televisão a vitimas de acidentes no
estrangeiro.
Recentemente,e por causa do estado da economia em Portugal, eu vi-me na
obrigação de ir até Espanha e ganhar algum dinheiro nas vindimas na parte
denominada "País Basco" espanhol.
Eu fui então até Espanha num autocarro cheio de gente.
Partimos de uma pequena localidade chamada Sto. André no distrito de
Aveiro junto á estrada que faz a ligação entre Vagos e Mira.
O local onde estivemos chama-se Villabuena de Alava - Eskuernaga
na região vinhateira de La Rioja.
Durante a campanha, nós os trabalhadores nunca tivemos acesso aos
nossos bilhetes de identidade, tendo inclusive o meu andado perdido por
mãos de individuos que eu nunca vi e que só por força de um dos donos das
vinhas, que forçou ao aparecimento do meu bilhete de identidade porque
queria que eu trabalhasse.
Há máfias que se aproveitam dos dados dos nossos bilhetes de identidade
para usarem os nossos dados.
Se um trabalhador português não tiver o bilhete de identidade em mão
não trabalha.No entanto só no fim do dia ou no dia seguinte ou quando
lhes der na cabeça é que o bilhete de identidade é devolvido.
Aconteceu uma vez o meu bilhete de identidade ser-me retirado com
a desculpa esfarrapada de que viriam fiscais ás vinhas para fiscalizar.
Mas os fiscais nunca vieram e eu tinha de me manter calado pois a
policia espanhola não me podia apanhar sem o bilhete de identidade, senão
haveria problemas para mim.
Na minha opinião os chefes e os seus capatazes portugueses e
espanhois retiram-nos os bilhetes de identidade para que nós não fujamos
para Portugal por causa das pessimas condições de trabalho deixando assim
o prejuizo evidente porque eles gastam á volta de 2000
euros no autocarro que nos leva a Espanha.
Quando estas pessoas prometem a toda a gente
o valor de 35 euros diários,não dizem que são 9 horas diárias,nem que
as mulheres só recebem 30 euros diários e nem que no fim do dia têm de ajudar
na cozinha mesmo havendo uma cozinheira e uma ajudante que estão a ser pagas
para isso.
Os angariadores locais, aqueles que vão falar directamente com as pessoas
interessadas em trabalhar, prometem mundos e fundos, mas depois de lá
estarmos mudam radicalmente a regras dizendo que afinal que não são bem 35
euros por dia mas sim aquilo que o trabalhador merecer.
Estes pequenos angariadores afirmam que estarão sempre prontos a ajudar
quem estiver em problemas mas isso não acontece.Eles mentem.
Nos momentos de necessidade, estes pequenos angariadores escondem-se e
deixam as pessoas desamparadas.Tal aconteceu comigo.
A mim foi-me prometido no principio, a oportunidade de 1 mês de trabalho.
Depois passou só para 20 dias de trabalho.
Até que por fim só trabalhei 9 dias e meio.
Alguns trabalhadores já andavam bebedos ou drogados á hora de almoço
todos os dias.
Alguns compravam cerveja e começavam a beber ás 9 da manhã.
Eu não fumo nem bebo, mas no ultimo dia em que fui avisado que viria
embora apenas com 2 horas de antecedencia de que eu teria que regressar a
Portugal contra a minha vontade, sabendo eu que havia ainda muito trabalho
queriam cobrar-me 11 maços de tabaco e 6 latas de cerveja que eu nunca
consumi.
Eu desconfio que alguns chefes são "invisiveis" e não existem como
empresários em Portugal ou Espanha.
Do qual eu me pude aperceber, para que esta gente pouco séria leve
a deles avante eles usam um individuo grande e intimidante para intimidar
as pessoas e estes calarem-se e deixarem-se levar nas nos esquemas.
Os trabalhadores são pagos em dinheiro vivo, não há recibos mas
nunca em privado.
São pagos no meio de 4 ou 5 familiares e do tal
individuo intimidante para que o trabalhador se amedronte e não reclame
o que é seu de direito.
Não existem descontos para a Segurança Social portuguesa ou espanhola.
Parece que existe um qualquer seguro de acidentes de trabalho mas eu
nunca assinei nada nem me falaram nisso.
Os donos das vinha pagam aos angariadores á hora mas os angariadores
pagam ao trabalhador ao dia.
Varios trabalhadores confidenciaram-me que havia pulgas nas camas.
As mulheres usam as mesmas casas de banho que os homens.
Não existem sanitas, apenas buracos no chão.
Os mesmos chuveiros são usados por homens e mulheres.
Eu proprio cheguei a presenciar fios electricos no chão mergulhados em
poças de agua.
Sacos de batatas junto das camas.
Somos obrigados a trabalhar mesmo que estejamos doentes ou quando não
queremos e não somos ajudados quando estamos doentes.
Perto de mim, um pobre idoso que se cortou, tinha o polegar muito
inflamado.
Este nem se atrevia a queixar-se ao chefe porque sabia que iria
ser ignorado.
Aquele individuo grande e intimidante, casado e pai de 2 filhas estava
sempre a assediar uma jovem rapariga.
Esta jovem rapariga arranjou um namoradito para lhe fazer companhia
porque no meio de tanto homem ela tinha muito medo.
O chefe, não sei porque razão quis separar a jovem do namorado de
quem esta queria sempre a companhia.
Talvez para a despachar para Portugal mais cedo.
Esta rapariga recusou-se a trabalhar sem a companhia do namorado porque
não sabia para onde ia nem com quem ia vindimar.
Compreendo eu que ela tinha medo porque aquilo lá eram só ladrões
drogados e bebedos, mas quando a rapariga se negou ele ameaçou-a de a fazer
regressar a Portugal á minha frente.Ela lá teve de se resignar.
Eu paguei a minha viagem de volta de comboio.
Não sei se tal é legal ou ilegal.
Eu tive a infelicidade de trabalhar nas vinhas com um par de botas de
biqueira de aço.
Ao fim do dia tinha os dedos dos pés cheios de calos feridas e bolhas.
Pedi ao chefe que me comprasse um par de sapatilhas porque eu não
tinha transporte para ir a qualquer sitio que fosse comprar calçado.
O chefe disse-me que sim que mos compraria, mas depois nunca
chegou a comprar nada.
Eu sempre dormi no chão.
Outras pessoas tambem dormiam no chão
Tive de levar roupa de cama, senão ninguem ma dava.
A roupa dos trabalhadores era lavada sempre fora de tempo e sempre de
má vontade por parte da cozinheira.
Eu levei uma maquina fotografica e tirei uma fotografia a um rapaz que
queria uma recordação,e disseram-me mais tarde que o chefe teve medo que
eu fosse um espião e que por isso ele me mandou embora prematuramente não
cumprindo ele a parte acordada.
Não existe um qualquer posto de Primeiros Socorros.
Como eu sofro um bocado de amigdalite no Inverno, eu pensando que iria
lá ficar 2 meses levei medicamentos que tive de partilhar com um trabalhador
que tinha dores de garganta e de dentes mas que o chefe ao vê-lo não
se ofereceu para o levar a um hospital na hora.
Só durante a manhã é que o trabalhador foi levado ao hospital depois de uma
noite em agonia.
Os antigos requisitam novos apenas para fazerem o trabalho pesado.
Os mais novos não têm hipoteses de negar e se o fizerem são ameaçados e
obrigados.
Os donos das vinhas nao trazem agua,nem o chefe a fornece aos
trabalhadores que passam sede o dia inteiro. Os velhos não pedem e nem
precisam e os novos desistem de pedir.
Os mais antigos começam a massacrar os mais novos.
O trabalhadores novos são obrigados a transportar os cestos cheios
de uvas ás costas porque os donos das vinhas não vão dentro da vinhas
carregar as uvas apesar de haver suficiente espaço entre as videiras para
passar o tractor.
As vezes as distancias são enormes que o trabalhador SOZINHO tem de
carregar com os cestos cheios a um ritmo acelerado.
Aconteceu-me a mim ter de transportar durante 5 horas seguidas quase
todos os potes de toda uma equipa de 9 pessoas sem parar.
E tendo eu de reclamar para que os potes fossem cheios apenas até a meio
o que ninguem queria saber.
Queriam era ficar bem vistos ao dono da vinha para quem trabalhavam o
ano inteiro e a receber boas remunerações.
No dia seguinte eu não me podia mexer mas tive de ir, apesar de eu
ter explicado a situação.
Eles disseram que eu descansava quando chegasse a Portugal.
Trabalha-se á chuva.
Trabalha-se ao fim de semana, e não nos podemos negar senão somos
ameaçados que voltamos para Portugal.
Contam-se historias de casais que vêm para Portugal sem o devido
pagamento porque reclamam das condições.
Não há um horario de trabalho fixo.Só se sai da vinha quando o dono
mandar e se ele não estiver, continua-se a trabalhar independentemente das
nossas condições fisicas.
Isso aconteceu-me logo no meu 1º dia.
Desconfio que nesse dia o patrão/dono da vinha ausentou-se de proposito
para que os trabalhadores fizessem mais horas e recebessem o mesmo pagamento.
Com o consentimento do chefe de equipa e dos mais velhos que estando em
regime de trabalho efectivo ganham á hora enquanto os ajudantes
recem-chegados ganham ao dia.
Não é fornecido ao trabalhador qualquer protecção contra a chuva.
Quem não leva oleados de Portugal tem de trabalhar á chuva.
Aconteceu-me a mim, uma manhã estar a vindimar e os potes estarem
devidamente marcados por onde se deviam encher e nada mais.
Os trabalhadores antigos e já cansados queriam obrigar-me a carregar
com os potes completamente cheios.
Eu recusei-me dizendo que os potes deviam ser cheios pela marca.
Eles continuaram a contestar-me.
Eu confrontei o dono da vinha com a situação e ele deu-me razão.
Da parte da tarde o dono da vinha trouxe para a vinha potes sem as
marcas obrigatórias para que eu não pudesse reclamar do peso.
Independentemente da hora, os capatazes nunca deixam os trabalhadores
parar de trabalhar á hora devida se o tractor que transporta as uvas estiver
só meio carregado.
Os trabalhadores são obrigados a trabalhar até encher totalmente o
reboque do tractor e só depois os trabalhadores podem parar.
Tempo extra que não é pago.
Estes pormenores foram comunicados ao Dr. José Manuel Durão Barroso Presidente da Comissão Europeia.
Se querem saber se um angariador é serio ou não,digam-lhe que vão no vosso carro ou então falem-lhe sem querer na policia judiciária.Digam-lhe que têm um familiar na policia judiciaria.Se vocês forem no vosso carro vocês podem fugir assim que se virem em problemas ou conhecer outras paragens.Se falarem na policia judiciaria (nao interessa falar na PSP ou GNR) mostram que estão protegidos e a qualquer momentos podem fazer estragos.A policia judiciaria pode actuar em Espanha ou na Europa sozinha ou acompanhada.
Seja lá qual destas duas ideias que mencionem,vocês apercebem-se logo que eles vos descartam imediatamente ou passado pouco tempo.Uma outra coisa que dá resultado é querer saber como se chama o sitio para onde vão.O normal é esses angariadores falarem nas provincias espanholas mas nunca em nomes de cidades ou aldeias.Dizem que vão para o país basco mas nunca dizem Miranda de Ebro ou Baños de Ebro ou San Sebastian ou Samaniego.Se forem descartados é porque esses angariadores acham que não vos podem roubar.Se assim for não insistam,senão vão passar um mau bocado se forem, pois eles não vos vão deixar trabalhar ou vão-vos fazer a vida dificil até vocês desistirem e virem embora.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
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